delírios de momento

14 outubro 2008

união estável

Mais um passo dado.
Outro dentro do nosso caminho
de felicidade,
de companheirismo,
de aventuras,
de divisões,
de realizações.
Agora assinado,
registrado,
documentado,
testemunhado,
avalizado.

Mais do que antes somos um.
Ambas assinaturas no mesmo papel.
Mesma vontade confirmada de ficarmos juntos.
Seja pelo tempo que for,
seja o que for que nos espera mais à frente.
Pelo que já sabemos,
pelo que não sabemos,
pelo que ainda vamos saber.

Mais um passo dado.

Que venha o próximo, seja ele qual for.

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18 junho 2008

seu nome é arrependimento

Sou uma mulher arrependida. Me arrependo de algo que fiz anteriormente, da forma como agi durante alguns anos, de quem eu fui para os outros e para mim mesma. E não consigo me livrar desse arrependimento, que me sufoca, que me inferniza, que me enlouquece. Porque o que ele causa hoje é dúvida!! Como eu seria hoje? Onde eu estaria? Com quem eu estaria? Quem seriam meus amigos? Que cidade eu estaria morando? E se eu tivesse agido diferente? ?
Viver em dúvida é a pior das formas. Não tenho certeza de quem eu sou, porque não acredito na estrada que me formou. Como posso ficar segura de onde ir, do que fazer? Queria voltar atrás no tempo. Fazer diferente. E queria poder ficar de fora, pra poder observar o resultado. E refletir sobre o que fui e sobre o que eu não fui.
Sou uma coitada, que não vive o que aconteceu, o que está acontecendo, nem o que acontecerá. Uma coitada sem vida.

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27 abril 2007

ontem

Aquela foi uma noite deliciosa, em que ela fez coisas das quais mais gosta: ficou em casa, com a sala repleta de gente, ouvindo boa música, cozinhando para amigos, bebendo vinho, falando muita besteira, dando muita risada...
Todos à vontade, alguns sentados no chão, conversavam, brigavam, se entendiam, contavam histórias, riam. Chega mais um, e depois mais outro para aumentar as alegrias. Definitivamente, ela se sentia bem. Estava entre amigos, novos amigos que ela já leva no coração.

A casa esvazia e o silêncio repentino deixa saudade. Ela abraça e beija o companheiro, feliz pela vida que leva ao seu lado. Adormece.

E o próximo dia amanhece ensolarado e frio...
E ela vê o quanto é feliz!


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12 abril 2007

outono






eu amo o outono...
as suas poucas lindas cores
e o contraste delas com o céu azul.
o azul dos dias ensolarados, mas que fazem frio,
esse friozinho que chega,
que faz a gente colocar mais roupa
e já nos deixa até usar manta no pescoço
e cobertor à noite.
o rastro das folhas voando quando os carros passam pelas estradas,
das árvores jogando fora, deixando morrer aquilo que já não serve mais.
reunir as folhas do chão no pátio de casa,
correr na praça sentindo o ventinho frio no rosto,
tomar sorvete embaixo das cobertas e usando meias.
eu amo o outono.
uma estação que permite e pede mais abraços... gostosa.

e que, pra me deliciar ainda mais, é a estação do meu aniversário.
: )

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16 março 2007

despedida

Dia difícil. Domingo dias das mães com o vô no hospital. Ele com as últimas forças, tentando aguentar. Um ano sem comemorações para as mães daquela família, que só aproveitam os abraços daqueles amigos pra receber um pouco mais de energia pra segurar essa barra.

Uma das netas viaja de longe pra ver a mãe e o avô. Essa pode ser a última chance de ver seu avô tão querido, que sempre morou ao lado e nutria um carinho especial por essa neta - e ela por ele. Mas ninguém quer que ela vá vê-lo no hospital. Todos acham melhor que ela mantenha na memória a imagem dele bem, saudável e feliz. Seria muito difícil vê-lo naquela situação, ligado a máquinas, sem poder falar, pálido. Teu vô vai saber que tu queria ter estado com ele, minha filha. Senta sozinha no teu canto, pensa nele, manda tuas energias e lembra dele aqui do teu lado. Feliz, falando contigo. Guarda essa imagem boa...
O dia passa. E ela com aquele aperto no peito, querendo ver seu avô. Final do dia, ela pega o onibus pra voltar pra cidade que mora. Difícil ir embora. Compra uma revista pra ler e tentar mudar o pensamento. Entra no ônibus. No meio do caminho, adormece. E sonha. E o sonho parece ser daquele exato momento que ela está: dentro do ônibus, olhando pela janela, vendo a cidade dela chegando. Mas ela olha pro banco ao lado e está ali sentado o seu avô. E com um sorriso, ela logo fala pra ele: já estamos chegando, vô. Vamos levantando que nós já estamos chegando. O avô, bem sereno e com um olhar profundo naqueles seus olhos azuis, dos quais a neta puxou tanto a cor, quanto a sensibilidade e a facilidade para chorar, disse: você está chegando, minha filha, mas eu ainda tenho bastante pra andar... Você fica bem aqui, que eu vou ficar muito bem por lá. Mas agora eu ainda vou longe...

A neta acorda. E vê que estava exatamente no ponto da cidade em que ela sonhou, chegando ao seu destino. Os olhos quase não continham as lágrimas. De repente a angústia se transformou em um sentimento muito bom. Parece que ela conseguiu guardar a imagem boa que a mãe havia pedido. Logo pensa em ligar pra mãe e contar. Pega o celular, mas estava sem bateria.

Ela desce do ônibus, pega um táxi, chega em casa e a primeira coisa que faz é ligar pra mãe. Mas do outro lado da linha, a mãe mal deixa a filha dar oi e vai dizendo: o vô acaba de falecer, filha.


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12 março 2007

mal comum

ele representa o bem e o mal em mim.
ele é o que me faz inteira e o que me divide.
faz eu me despedaçar. me despedaçar sozinha, porque faz eu querer me machucar.
ele faz eu ser eu mesma, mas também faz eu ser alguém que nao conheço, que nunca fui.
ele me alegra. e me entristece.
ele me leva às alturas. mas chega a me deixar embaixo da terra.

por que o amor tem que ser assim?


(inspirado em sentimento alheio)

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22 fevereiro 2007

saudosa

1 dia apenas que passou e já sinto saudade daquele céu, daquelas estrelas que eu nunca tinha visto com tanta intensidade. medo de fechar os olhos e não conseguir mais visualizar a via láctea daquele jeito.
saudade de pegar 7, 8 horas de estrada pra chegar naquele paraíso - queria que tivesse sido apenas de ida...
saudade da rua de terra, do pó, da escuridão à noite, do frio... do cheiro de fumaça. de acender lareira em pleno carnaval... saudade até do bumbo no meio da madrugada! ô beta, cadê você? eu vim aqui só pra te ver... ;)
saudade da companhia constante dos amigos... os amigos mais amigos de anos, os maloqueiros, amigos novos, amigos recém feitos, o gato o tempo todo por perto. saudade de cada um desses amigos, os velhos e os novos.
de esquecer que existe celular, televisão, esquecer do stress.
saudade de ter media luna no café da manhã, torrada de forno na hora da larica, de cortar madeira para assar o almoço, de chegar na casa lotada pro jantar e sentir a animação de cada pessoa de lá.
saudade de conhecer gente nova - e de conhecer e estar com AQUELAS pessoas em particular, cada uma tão especial. e de ser convidada a sambar, de ensinar uruguaios a sambar. saudade de ver o desfile de las reinas. de ouvir muito espanhol, de falar portunhol.
saudade da brujula de los vientos e sua energia boa, que enche a gente de alegria e dá vontade de não sair mais de lá. de ser bem recebida e querer retribuir.
saudade de estar cercada de cachorros. de andar pelas ruas com a janela do carro fechada pra não levar água... e de levar muita água na cabeça. de ficar lendo o nome de cada casa na cidade.
de andar em cima do bartolito, quase sem espaço pra tanta gente... se essa p. não virar, olê, olê, olá... eu chego lá...
do bloco de carnaval. de todas as marchinhas de carnaval. chegou a turma do funil... saudade da banda - a única verdadeiramente do samba! de pular sem parar na "avenida", mesmo no escuro, depois do próprio agito da festa ter acabado com a luz. de ver o brilho antes da escuridão. de sambar sem ver mais nada a frente. pular no meio de desconhecidos e depois voltar a ficar entre os amigos. de beber cerveja de 1 litro no bico. de ver o nosso carro abre alas quase parar.
do banho de chuva do primeiro dia, de sentir o sol quente na pele, mas o vento friozinho no rosto. banho de sol no terraço. da água do mar gelada e limpa, limpa, linda! de ver o mar em um dia de ressaca e outro dia em calmaria. de me deliciar com o pôr-do-sol de lado pro mar, lá do alto do farol.
saudade de jogar muito baralho e muitos outros jogos numa noite só, até quase amanhecer, sem nem notar o tempo passando (a resistência de quem não quer dormir, pra aproveitar cada segundo). escravos de jó... invido e truco! eu tenho flor! risos
saudade da patricia, da pilsen, da norteña e da corona. da caipirinha. de fazer caipirinha até gastar os dedos, da galera pedindo mais. vinho, muito vinho.
de dar bis de presente. de comprar artesanato no centrinho. das casas brancas de telhado reto.
saudade de adiar a hora de saída pra ficar conversando sobre a vida de cada um.
saudade de viver na pink floyd, a casa mais rock de toda la paloma!! : )


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13 fevereiro 2007

não quero mais sentir esse buraco na barriga! o que eu tenho que fazer pra que isso acabe? por que eu não consigo controlar, por que essa dor tem que ser mais forte? tô cansada... já foi-se o tempo que isso devia ter passado. mas tem coisas com as quais eu realmente não sei lidar. fico adiando enfrentar o problema e é nisso que dá. quem ensina a gente? o que é certo ser feito? será que ficar alienada evita o sofrimento?

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08 novembro 2006

Aprendendo a lição

Sabe... naquela tarde eu estava triste. Não queria ir embora, ter que deixar meus amiguinhos... ficar só com a esperança de revê-los no próximo verão. O mar parecia ainda mais gostoso do que em todos os outros dias. O movimento nas ruas era intenso, meus amigos brincando em meio a tudo isso... eu não queria deixar pra trás.
Mas o meu papai não quis que eu saísse com ela. Só que era meu último dia, a última tarde na praia, onde eu conhecia tudo e podia andar sem perigo! "Ah, não! Acabei de lavá-la pra colocar no carro, meu filho!" - exclamou meu pai. "Não irei na areia, pai, prometo cuidar pra não sujar" - eu argumentei. Como de costume, eu sempre dava um jeito de convencer meu papai e a minha mamãe.
Eu chamava ela de Mega. Lá todos tinham o costume de apelidar as bikes - eu não podia ser diferente! E quanta estrada já tinha andando com ela durante 2 anos apenas... Aliás, lembro bem da minha alegria no Natal em que o Papai Noel chegou de caminhonete e, em cima dela, uma linda bicicleta!!! A minha bicicleta!!! Ela estava coberta com laços e fitas. Acho que eu até reclamei das fitinhas amarelas - azuis até passavam, né...
Quando eu subi nela, mal alcancei os pedais. Mas um ano depois já estava perfeito! E foram tantas corridas, rallis, bicicross, idas à escola. E pela estatística dos outros meninos, eu nem tinha levado muitos tombos!
Mas lá na praia, então, como eu estava contando, saí correndo de casa e fui com a minha Mega bike convidar Marcelo pra andar comigo no meu último dia de praia daquele verão. Fomos andar na estrada, já que era toda asfaltada - porque assim eu ia manter ela limpinha, como eu tinha prometido. Mas não tinha dunas, nem morros, faltava emoção! Então comecei a pedalar com toda vontade, ao máximo que eu conseguia. Baixei a cabeça e voei com a minha bicicleta! Ouvi alguns gritos do Marcelo, mas era claro que o fracote não conseguia me alcançar...
Quando ergui a cabeça, já exausto, notei que havia chegado na rótula da entrada da praia e muitos carros passavam por ali. Diminui a pedalada pra tentar ir mais devagar, mas não enxerguei um carro que vinha na minha direção. Só ouvi o barulho atordoante da freada e consegui desviar dele, mas a rótula estava bem na minha frente e eu dei com o pneu no cordão... tive a impressão de girar no ar, caí com o rosto no cascalho e ainda me arrastei um pouco no chão, acho que pela velocidade que eu ia... rocei a pele toda naquelas pedras de cascalho e senti uma ardência sem fim.
Ouvi uma voz conhecida. Parecia desesperada, mas seguer consegui me dar conta de quem era, pois só via aquele sangue todo no chão e no meu corpo. Depois ouvi vozes estranhas... Fui colocado num carro e não identifiquei o caminho por onde me levaram. A dor era tamanha, que eu não pensava, nem prestava atenção a mais nada.
Me tiraram do carro e eu estava ainda mais desesperado! "Cadê minha mãe, eu quero minha mãe!!" - a única coisa que lembro ter gritado. Não era possível que alé de estar todo machucado, eu ainda seria sequestrado - porque eu achei que estavam me levando de refém. Fui carregado por um outro homem e quase caí do colo dele de tanto me debater. E quando vi aquela seringa vindo pra perto de mim... Ai, que medo!! Eu já sentia dor demais, sai pra lá com essa seringa!! Depois disso, não lembro de muita coisa. Só de mais tarde estar ao lado dos pais - Graças a Deus. Não havia mais sangue, mas eu ainda sentia muita dor e não enxergava direito. Fomos para casa. Eu tinha fome, mas não conseguia abrir a boca o suficiente nem pra comer um biscoito. Tomei sopa de canudinho, dada pela minha mãe, que chorava muito, tadinha... e eu só lembro que ela não deixou eu me olhar no espelho por um bom tempo.
Meu amigo Marcelo foi me visitar. Ao me ver, espantou-se como se visse um fantasma! Contou-me do acidente, que um casal ajudou a me socorrer enquanto ele ia procurar meus pais pra dar a notícia do acidente.
Me lembrei da Mega. Meu pai falou que provalvemente eu não andaria de bicicleta por um bom tempo: "Ela ficou toda torta, não tem como consertar". Eu não poderia viver sem uma bicicleta... e logo aquela! tão boa, com 10 marchas, que corria pra caramba... Meu pai só ria de mim: "Não aprendeu a não correr mais de bicicleta depois disso?"
No Natal seguinte, ganhei outra bike. Mas eu já tinha perdido o apego a bicicletas. Passei a preferir o vídeo-game.

Hoje, meu filho, você está ganhando a sua primeira bicicleta. E te contei tudo isso pra que você pense bem antes de fazer qualquer coisa que possa te machucar. Apesar de eu não ter sido cuidadoso, confio em você!


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17 outubro 2006

a partir de hoje, nós vamos:

juntar os trapos
partilhar o metro quadrado
repartir os gastos
dividir o guarda-roupa
compartilhar a cama
convergir alegrias
estar no mesmo endereço

todos os dias.

; )

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28 agosto 2006

marte tá do lado da terra. e plutão não é mais planeta. mas existem magos que, mesmo na terra, são ETs. porque humanos podem ser muito complicados. e faz falta uma pessoa ser leve de espírito. atrasa a vida. mas a vida tem como ser atrasada? qual o caminho certo? temos que pensar no futuro? viver, viver, viver... mas as preocupações necessárias cortam o viver pela metade. quem criou essas preocupações pela primeira vez? tem doido cada vez mais doido. e nesse mundo, cada vez mais são poucos os que se salvam. e pior que eles dominam o mundo. e quem tá vivendo na boa é que se fode. ei, você aí, me dá um dinheiro aí. barcelona, paris, londres, berlin, dinamarca. eu quero. um mundo desse tamanhão e cada um só vive no seu mundinho. universo a ser explorado. mundo sendo acabado. o mundo do meu quarto nunca acaba. quero mais. felicidade e paz... qual o melhor símbolo pras duas coisas juntas? marcado no corpo. o espaço tá aqui, esperando. falta inspiração. e o cabelo? preciso mudar meu cabelo. dançar. amanhã? não posso. eu quero. não posso. convenções? tem que ser assim? talvez não. vale arriscar? só se for levar a alguma coisa. mas tudo pode levar a algo. experiências sempre são válidas. e é preciso ter vontade. mas qual a vontade maior? agora quero velas pra iluminar minhas noites. luz de velas, luz branda sempre. suave, amena, meiga. meiga? não quero ofender. mas não ofendendo, acabo querida demais. e será que assim os outros entendem? ou isso faz o que eu digo ser desconsiderado. mal e mal pensado? eu aparento ser quem eu sou? quem eu sou pode sequer estar do lado de fora? eu dou risada! e só quero rir mais.

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26 janeiro 2006

louco de amor

eu corria, corria e corria... sem nem saber pra onde estava indo. os pingos de chuva caíam no teu rosto e eu, te segurando abraçada a mim, me preocupava em manter teu corpo aquecido. a chuva aumentou e não adiantava eu continuar correndo. era melhor nos abrigar e esperar a chuva passar, antes de correr o risco de te fazer adoecer... você, que sempre foi tão delicada, indefesa...
achei um canto numa marquise de ponta de esquina, sentei e ajeitei teu corpo no meu colo... teu rosto angelical adormecia. tirei os cabelos encharcados dos teu olhos para poder te contemplar. ajeitei teus braços, senti tua mão fria e pequenina... teus dedos finos que eu tanto gostava quando tocavam a minha pele... ah, a tua pele... macia, perfumada. tuas manchinhas, sinais que pareciam formar desenhos por todo teu corpo... teus longos cabelos morenos, que arrepiavam a minha espinha quando eu os tocava entre os meus dedos... ali fiquei, não sei por quanto tempo, perdido na tua beleza e na alegria em te ter junto a mim.
até que eles chegaram sem que eu percebesse. e te roubaram de mim.
dois homens armados prenderam meus braços, enquanto eu ouvia gritos de insultos e encarava olhares de afronta ao meu redor. eu não entendo nada disso!! por que te levaram de novo pra longe de mim?? por quê?? eu não ia conseguir viver sem ti dessa vez... não consigo... não dá, prefiro morrer...
eu nunca te machucaria, nunca... não seria capaz de te fazer mal algum... eu só queria que tu fosse minha.
e como não te tenho, aqui me despeço.
te verei lá de cima!!

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23 janeiro 2006

19 de março

22h40. um bar desconhecido.
a porta abre.
há 10 metros de distância e entre muitas pessoas, eles já se vêem.

ela: calça jeans, regata branca, colar de coração no pescoço, cabelos soltos.
ele: calça jeans, camiseta laranja, piercing na sobrancelha e cabelo moicano.

o resto do ambiente desaparece. por um segundo, silêncio. eles só ouvem a batida dos seus próprios corações, acelerados.

ela nem pensa mais nada direito, só sente. parece que uma onda gigante se move dentro do seu corpo.
a partir daí as atitudes são pensadas em cada segundo, centímetro. mexo o cabelo? dou um sorriso? será que é melhor ficar de pé ou sentada? tá todo mundo descendo pra ouvir a banda, será que ele vai também? nossas amigas querem sentar numa mesa lá fora, bem que ele podia ir junto, dá pra gente conversar... já sei, foto! vou pedir pra ele tirar uma foto nossa, aí ele tem que ficar aqui por perto...

quando ela entrou, o olhar dele não tinha outra direção, não tinha como ir pra outro lugar: tinha que fitar aquela menina. o primeiro pensamento: muito prazer, mulher com quem eu quero viver o resto da vida!!! ele queria pular em cima e não deixar ninguém mais chegar perto. essa é a amiga que as gurias iam trazer? como eu nunca a conheci antes? um amigo ao lado faz um comentário a respeito dela, mas ele não deixa. nem vem, ela é minha! EU que vou ficar com ela.

00h20. Hora de ir pra outra festa. as amigas saem do bar, ela vai junto. ele vem também? temos que esperar, pensa ela já entrando no carro. dali, ela vê ele abrindo a porta do bar. ele chega próximo ao carro e fala com a amiga pra se encontrarem lá na frente. os dois sentem uma mesma alegria contagiante, misturada a um grande nervosismo e ansiedade. Eles terão a noite inteira próximo um do outro.

ele faz o caminho todo logo atrás delas. e do estacionamento da festa até a entrada, os dois já vão conversando. parecem esquecer que têm mais companhia. mas nenhum dos dois se sente seguro o bastante de que o outro tem algum interesse.

fila pra entrar. e por necessidade, cada um vai pra um lado. ela entra antes. e já na festa, procura ficar num lugar que seja fácil dele encontrá-la. Ele tinha o nome na lista, por que está demorando tanto? Ele, tendo problemas para entrar, nem pensa duas vezes e paga o ingresso: ELA tá lá dentro...não posso deixar de entrar! ele a encontra. dançam os 4 juntos: ele, ela e as duas amigas. outros conhecidos vêm e vão. e os dois ali, esperando o momento que algum deles tomaria maior coragem pra se aproximar. - será que ele está interessado como eu? será que vai chegar mais perto, ou eu devo me aproximar e arriscar? não vou falar nada com as gurias pra não dar azar... - será que ela veio pra essa festa pra encontrar outra pessoa? uma mulher assim não vai ficar muito tempo sozinha, eu tenho que fazer alguma coisa!! Não consigo ler sinais claros de interesse dela, mas azar, tenho que arriscar... ele olha pra ela e sorri. ela parece sorrir de volta, mas logo muda o olhar de direção. ela não está sabendo como agir, mas ele não vê isso. tem receio da falta de interesse dela. ele se aproxima e fala alguma coisa no ouvido. ela mal entende o que é, mas tenta manter a conversa. precisa achar um jeito de dar mais atenção pra ele. as amigas a chamam pra mostrar alguma coisa, ela sai de perto... lá se foi o plano.

mas, de repente, os dois estão sozinhos... os amigos que estavam por perto, saíram. eles estão no meio da pista de dança, rodeados de pessoas, mas naquele instante, sozinhos. ele olha pra ela e sem dizer mais nenhuma palavra, a beija. um beijo de alguns segundos, que vai durar a vida inteira.

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12 janeiro 2006

um assunto leva a outro

falando em desinventar...
dá pra fazer uma lista grande de coisas que poderiam ser "desinventadas"...
e outra de coisas que ainda precisam ser inventadas...

algumas coisas que eu desinventaria:
- as armas de fogo
- as formalidades pra se vestir (eu não queria ser homem e ter que usar calça e sapato fechado todos os dias nesse calor!)
- os políticos
- o machismo
- gente estressada
- gente que se acha
- o medo da morte
- o ódio
- a poluição
- a maldade


bem que poderiam inventar:
- uma forma mais barata de viajar pra todos os cantos do mundo
- uma semana com menos dias úteis e mais dias no final de semana
- o botãozinho da paixão, pra gente escolher por quem se apaixonar
- prêmios da loteria para todos no dia do seu aniversário
- vacina pra todas as doenças
- uma forma mais rápida de terapia
- comida que não engorde, mas que continue com os mesmos sabores
- uma solução pra manter a camada de ozônio intacta

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10 janeiro 2006

alegrias x tristezas

se houver um deus e ele chegar pra você hoje dizendo que você pode optar por dois destinos na sua vida:
- ganhar algo que te faça ser completa e incrivelmente feliz por um determinado período, mas depois perder isso e ficar com uma grande tristeza e nunca mais provar da felicidade
- ou não ganhar essa maravilha e passar a vida inteira num nível razoável de felicidade/tristeza, sem nunca ser completamente feliz e nem completamente triste
qual deles você prefere?


quando uma alegria está ligada a uma futura tristeza, é preferível nem ser feliz naquele instante? ou você vai adiante e aproveita o momento e acha que vale a pena a tristeza futura?
você é do tipo que rasga fotos de ex-namorados(as), joga fora todos os presentes, prefere nem lembrar que aquela pessoa existiu na sua vida? ou você acredita que tudo o que você viveu faz parte de quem você é hoje e por isso guarda tudo pra permanecer na memória?
aquelas lembranças boas de alguém que depois nos decepcionou são melhores se esquecidas? já que a lembrança do que é bom traz junto a lembrança de coisas ruins... ou vale relembrar tudo?
se algo que você criar/inventar te trouxesse todo o sucesso, mas depois o maior fracasso, você ia preferir não inventar?


você vive passado, presente ou futuro?
corre o risco de ser feliz com o mesmo risco de ser triste?
ou prefere não correr riscos?

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05 dezembro 2005

frustrações

putz, como é difícil a gente aceitar quem é, com nossas limitações e reconhecendo as capacidades, não? e quanta frustração a gente tem na vida em função disso... a insatisfação com o próprio corpo; a frustração com a profissão, com o dinheiro que se ganha; a indignação com o que o vizinho tem que a gente não tem; a falta de cabelo, o excesso de; o cara lindo que não olha pra gente; a falta de dom pra falar em público ou pra contar piadas; não saber dançar; não ter sucesso suficiente; não ser sexy o suficiente; ter a risada estridente... bah!! tanta coisa é frustrante na nossa vida!!! não sei onde isso começou, não sei qual o chip que tá na cabeça que impede a gente de ser feliz com o que tem, como é. "não sei, só sei que é assim..."
eu, obviamente, tenho minhas várias frustrações bem pessoais: a altura (ou melhor, a falta de), a perna grossa demais, os dedos dos pés quadrados (sim, meus dedinhos chegam a ser quadrados de tão gorduchos), o osso do nariz que é reto (ai, agora todo mundo vai ficar observando o meu nariz... risos), a minha voz muito aguda (que fez eu desistir de investir no canto)... mas, de todas, a frustração mais fudida não vem do que a mãe natureza nos deu - porque o "eu nasci assim, fazer o quê - é o que Deus me deu" ainda nos consola... o pior é quando ficamos frustrados pela nossa própria incapacidade... quando a gente quer muito fazer algo e não consegue. por maiores que sejam as tentativas, por mais aplicados que sejamos, por maior que seja a quantidade de horas que a gente perca se esforçando na tentativa, tem coisas que a gente simplesmente não aprende a fazer, não consegue fazer... e quando é assim, FUDEU!! é de chorar no cantinho... passar anos tentando fazer uma coisa que a gente deseja muito fazer, mas a coisa não rola, simplesmente não rola... é foda... bem como é uma das minhas maiores crises interioriores: minha incapacidade em escrever poesias... PUTA QUE PARIU! o tanto que eu já tentei escrever já teria feito vários livros se eu fosse razoável... se eu fosse ótima, então, nem se fala! se ao menos eu tivesse algum prêmio só pelo esforço eu já ganharia algo! mas não... minha cabeça racional não tem a capacidade de reeditar o que sente/ o que vê de forma poética, ou de forma abstrata ou comparativa que ao mesmo tempo transmita algo verdadeiro para quem lê. minhas analogias ficam muito forçadas, meu jogo de palavras parece coisa de criança, meus textos rimados não transmitem nada! PUTZ GRILA!
mas também não dá pra conviver com essa frustração pra sempre... assim não se vive. é erguer a cabeça, repensar as habilidades e estudar outra coisa pra colocar a energia que renda algo de bom. eu tinha aberto mão da poesia pelo canto. HAHAHAHA, né? não rolou!! mas aí não foi minha incapacidade, já que eu até sou bem afinadinha (ou seja: meu esforço retornou em algo bom). Mas nesse caso a natureza me impede de achar que posso levar adiante, porque a voz que Deus me deu não é lá grande coisa... mas eu sei que as capacidades de um ser humano não "se estancam por aqui"... e preciso achar outra coisa onde pôr minha energia pra que eu encontre algo que sirva de hobby, que me satisfaça interiormente, que ocupe minhas horas livres e faça eu conviver bem sozinha, eu e eu mesma. : ) enquanto eu busco, assim eu me ocupo. e vou me satisfazendo em ler as belas poesias dos grandes escritores e interpretá-las - ler e reler e reler e ler e reler... e ir me preenchendo. até o dia em que eu me contentar em ser uma reles mortal. fazer o quê.

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